Sexta-feira, 17 de Abril de 2009
O amor e suas distorções de pensamento
"O amor que a vida traz
Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até modesto.O problema é que todos imaginam um amor ao seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que gostasse dos seus amigos. E precisa ter um emprego seguro. Bom humor, sim, bom humor não pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1, ou uma capa da 'Playboy'. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.
Aí a vida bate á sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria. Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar a diante, faça o que quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus. E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara, que não lembra em nada o amor solicitado. E por isso mesmo, um amor que deixa você em pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que cada manhã faz você pensar que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões que você não esperava enfrentar, e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego. Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o certo, e o certo era aquele outro que você havia encomendado, mas a vida, que é péssima em atender pedidos, lhe trouxe esse conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse nonsense, esse amor que você desconfia que nem lhe pertence. Aquele amor em formato de coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou em você no elevador, o amor que não era pra vingar e virou compromisso, olha você tendo que explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não se especifica, não se experimenta em loja - Ah, este me serviu direitinho! Aquele amor discretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém para o qual um amor discretinho costuma ser desprezado, repare em com a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Aproveite o que lhe foi entregue por sorteio."
O amor, assim como os outros sentimentos, nos coloca em situações esquisitas... como dizem os evolucionistas, as emoções são programas mentais supraordenados, no sentido de que fazem com que o cérebro passe a funcionar em um modo de operação coerente com a emoção experimentada pelo indivíduo. Assim, todos os processos cognitivos, mesmo os teoricamente menos sujeitos à interferência da emoção, como o raciocínio lógico e a percepçao, acabam sendo distorcidos de modo a se tornarem coerentes com o que estamos sentindo. Quer um exemplo? Experimenta acordar de TPM...a realidade objetiva não mudou, mas fazemos as mais esdrúxulas interpretações de diversos fenômenos, que nos levam necessariamente à tristeza ou irritação...
De um tempo pra cá, talvez num momento de lucidez, ou numa tentativa de fuga de uma situaçào altamenta aversiva, entrei numa de que o amor é que vale, e passei a concordar plenamente com a Martha. Por isso a megalomania de acreditar que ela escreveu esta crônica especialmente para mim...De uma hora para outra, passei a achar isso. E para para sustentar minha nova tese, me muni de argumentos da mais refinada lógica.
Quanto eu realmente acredito nisso? Não sei. Não faço a menor idéia. Subjetivamente, no momento, acredito 100%. Tenho certeza que o que vale é estar perto do seu amor, a despeito de inúmeras características que ele tenha ou deixe de ter. Simplesmente não conta... projeções dopaminérgicas direcionadas ao meu núcleo acumbens do hipotálamo estão nem aí pro meu córtex pré-frontal e seus pré-requisitos... o que importa é como é gostoso estar perto....
O quanto isso é a saudade tomando conta do meu cérebro e me fazendo achar boas coisas que eu sei que normalmente não acho? Ou pelo menos, sei que não compensam o sofrimento advindo da parte ruim??? E agora??? Agora, perdi. Entrei num modo de operação apaixonado e, como todos os apaixonados, perdi. O controle sobre mim mesma, o medo de sofrer, a compostura, o orgulho... perdi. Talvez com isso esteja perdendo também a possibilidade de ser feliz, de me livrar do sofrimento... Talvez. Talvez seja esse o preço de amar intensamente. Pior, nesse modus operanti, nem me parece um preço tão caro assim...
E se for? Então, mais uma vez, perdi. Mas vivi. Intensamente. Sem medo de sofrer.
Prefiro me arrepender do que fiz. Pelo menos enquanto eu estiver funcionando neste modo.
caí na armadilha...
Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus
Droga? Talvez... provavelmente depois... medo... medo de sofrer no futuro...
No fundo, medo antecipado. Porque, por hora, o sentimento é a mais profunda felicidade... acordei levinha!
Sábado, 21 de Março de 2009
Armadilhas
Quem vem lá
Que horas são
Isso não são horas, que horas são
É você, é o ladrão
Isso não são horas, que horas são
Quem vem lá
Blim blem blão
Isso não são horas, que horas são
A casa está bonita
A dona está demais
A última visita
Quanto tempo faz
Balançam os cabides
Lustres se acenderão
O amor vai pôr os pés
No conjugado coração
Será que o amor se sente em casa
Vai sentar no chão Será que vai deixar cair
A brasa no tapete coração
Quando aumentar a fita
As línguas vão falar
Que a dona tem visita
E nunca vai casar
Se enroscam persianas
Louças se partirão
O amor está tocando
O suburbano coração
Será que o amor não tem programa
Ou ama com paixão
Mulher virando no sofá
Sofá virando cama coração
O amor já vai embora
Ou perde a condução
Será que não repara
A desarrumação
Que tanta cerimônia
Se a dona já não tem
Vergonha do seu coração
Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009
A mulher de Virgem
A mulher de virgem pode largar tudo, inclusive o marido para seguir uma nova paixão sem dar a mínima para os comentários ou julgamentos. Ela é uma mulher que pode ser muito determinada quando se trata de ir em busca da felicidade, esteja ela onde estiver! Uma vez que aceitou um amor como verdadeiro este amor estará acima de tudo. Ela é a única mulher capaz de ser terrivelmente prática e divinamente romântica.
Apesar de ser uma mulher determinada, ela não é do tipo que se atira de cabeça sem gastar um bom tempo analisando o que melhor deve ser feito. Também não é uma mulher que gosta de chamar a atenção como a leonina, ou que goste aventuras e mudanças bruscas em sua vida. Não, para ela tudo deve ter uma certa lógica e um motivo.
Não espere vê-la lutando por uma causa, fazendo discursos ou escalando montanhas com seu namorado apenas para estar ao seu lado. Esta mulher costuma gostar do sossego e não é muito afeita a aglomerações ou badalações. Normalmente costuma ter um gosto afinado para as artes em geral e na maneira de se vestir.
Sabe porque é muito raro ver uma virginiana cafona? Por que ela parece ter nascido com um bom gosto para roupas que não é afetado por modismos ou extravagâncias!
No trabalho, ela é persistente e prática, e descobrirá os pequenos erros que até um perito poderia deixar passar. Quando ela resolve se entregar à uma tarefa pode esperar que o resultado será o melhor! Ao se envolver com esta mulher, ela se encarregará de todas as suas preocupações, e provavelmente terá prazer nisto. Esta é a mulher perfeita para se discutir orçamentos planos para o futuro e o orçamento da empresa. O que pode parecer um tédio para outras mulheres, para ela é um prazer.
Uma coisa que é interessante notar na mulher de virgem é que ela sempre dá aquela intenção de que está preocupada com algo.
A preocupação é algo natural nesta mulher. Elas simplesmente não conseguem relaxar completamente. Mas não espere ver uma fisionomia carregada ou carrancuda. Normalmente elas costumam ter uma aparência serena e sempre o mesmo sorriso discreto, olhar tranqüilo e gestos calculados. Mas, mesmo possuindo este autocontrole e este comportamento sereno, elas costumam ser devoradas por ansiedades que nem o mais íntimo dos amigos tem conhecimento!
Apesar de ser uma perfeccionista, não quer dizer que seja perfeita. Ela tem os seus defeitos e estes podem ser muito irritantes. Elas acham que ninguém consegue fazer as coisas com tanta ordem e eficiência quanto elas. E o que irrita é que muitas vezes elas tem razão!
A virginiana detesta quando é criticada abertamente. Se ela errar, diga-lhe com muito tato para não perder a amizade (ou a esposa).
Quando se trata de admitir que está errada, esta mulher parece sofrer um bloqueio mental. Ela tem mais facilidade para criticar os defeitos nos outros do que para aceitar os seus próprios. Não que ela ache que é perfeita. A virginiana sempre é muito critica com relação a sua aparência, trabalho, alimentação e no amor, claro!. Para ela não existe meio termo: ou consegue o melhor ou tem apenas o pior!
Também não espere ver esta mulher tendo sonhos ou ilusões sobre as pessoas mesmo quando está amando.
Ela é muito "pé no chão" e muito prática para se deixar levar por sonhos. Nem a taurina consegue ser tão pratica quanto ela. Nem mesmo o amor consegue cobrir os olhos da virgem e impedir que ela veja os defeitos e falhas do companheiro, durante o relacionamento.
Demonstrações dramáticas de amor, promessas sentimentais e exagero, não só deixa a mulher de virgem entediada, como pode assustá-la a ponto de nunca mais aparecer. Mas, seu coração pode amolecer se for conquistada aos poucos. Existem muitas formas de se conquistar esta mulher e manter a paixão. Mas a agressividade não está entre elas!
A virginiana busca mais a harmonia e a tranqüilidade em um relacionamento do que paixões loucas e amores impossíveis!
Também não é muito comum ver esta mulher chorando por um romance do passado ou se entregando a um amor platônico. Para ela o que importa é o que está ao seu alcance, e o que acabou tem que ser enterrado para que outro homem ocupe o lugar vago! Mesmo que uma decepção amorosa tenha causado muita dor em seu coração, esta mulher consegue disciplinar seus sentimentos e emoções a ponto de parecer que nem liga para o rompimento. Ela vai sofrer por dentro, mas este sofrimento não vai durar muito!
Ela dificilmente vai se deixar levar pela ilusão de que colando os pedaços vai conseguir refazer o que não tem mais conserto!
Ela se dedica totalmente apenas àqueles em quem confia, e as pequeninas coisas podem significar muito para ela.
Apesar de sua timidez e tranqüilidade, é bastante firme e forte para que para que os outros encontrem nela um porto seguro. Sua coragem e senso de responsabilidade costumam servir de conforto para as pessoas que ama, quando as coisas não estão boas!
Fonte: www.signodevirgem.com
Retrospectiva 2008 e os vieses de memória
Altos e baixos são comuns à vida, dessa forma, um ano, que nada mais é do que um pedaço arbitrariamente considerado de vida, certamente tem eventos bons e ruins. Resolvi pensar então em termos de objetivos alcançados... nesse sentido 2008 foi um ano de muitas conquistas. Vida profissional estabilizada, vida acadêmica encaminhada... independência!!!! Realmente acho que vai ser difícil ter outro ano com tantas metas cruciais cumpridas com o louvor visto em 2008.
Mesmo minha vida amorosa, meu coração ferido, começa a cicatrizar agora no final do ano. O primeiro dia de 2008 foi um dia mágico, cheio de esperanças e expectativas que não posso dizer que não foram cumpridas...talvez abruptamente interrompidas, mas nem por isso não atingidas. Por outro lado também não posso dizer que foi um mar de rosas desde o início até o tão sofrido fim. Por mais que minha memória cisme em dividir o passado em períodos supraordenados por uma palavra que pretensamente os define, isso nada mais é do que uma generalização simplória, típica do nosso cérebro humano, viciado em padrões.
Foi libertador pensar que 2008 não foi um ano bom ou ruim, mas sim uma sucessão de eventos bons ou ruins...exatamente como a vida é. Euforia das metas cumpridas, sensação de coração dilacerado... coração cicatrizando... tudo misturado! Isso sim é real. Qualquer tentativa de classificação fica sujeita aos vieses da nossa memória.
Me livrar do pensamento de que a queima de fogos representava uma ruptura entre uma era boa e o prenúncio do desconhecido assustador veio acompanhado de uma sensação de plenitude quase meditatória... eu sou um ser humano, integrado ao mundo, que vive e sente. Ponto.
Feliz 2009!
Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008
DESPEDIDA - Martha Medeiros
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.
Sentir-se amado
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho"...
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."
Daí a sabedoria do ditado popular... "amor é convivência".
E um pouquinho de ciência (eu não consigo ficar sem!): se meu cérebro vê, sente, ouve, cheira e prova, não faz nenhum sentido acreditar apenas no que um dos seus sentidos percebe ("eu te amo"), quando os outros estão em privação sensorial ("mas eu não estou ao seu lado").
Esmolas Afetivas- Martha Medeiros
Você vai até a farmácia e acaba com o estoque de lenços de papel. O atendente finge não reparar no seu nariz vermelho e nos seus olhos inchados. Aí, você volta para casa, liga o computador, abre sua caixa postal e está lá o nome do querido: mensagem para você. Seu coração dispara. Agarra o mouse com força, clica e lê as palavras mais lindas da língua portuguesa. Você foi muito importante pra mim. Jamais vou te esquecer. Foram os melhores dias da minha vida. Não mereço alguém tão perfeita. Seja feliz. Um beijo do sempre seu, Mané.
É um mané graduado, com ph.D em tortura. Deve ter feito um estágio no Doi-Code. Caramba, se ele acha você tão importante, tão perfeita, tão idolatrável, que diabos está fazendo com outra namorada? Por que não some do mapa de uma vez? Por que não faz a gentileza de deixar você esquecê-lo?
Os dias passam e o cara não escreve mais. Você retoma sua vida, lentamente. Ainda pensa muito nele, mas começa a perceber outras pessoas a sua volta e resolve abrir a guarda para a entrada de um novo amor. Aí, outro e-mail do Mané pousa na sua tela. Por que você anda sumida? Sinto muita saudade. Você é minha melhor amiga, sinto muito carinho por você.
Merece ou não merece um tijolo no meio da testa? Que papo é este de melhor amiga? Quanto ao carinho dele, você embrulha e envia para a Venezuela, alguém lá pode estar precisando. Se ele não pode dizer as coisas que você quer ouvir, que não diga nada. Tudo o que ele consegue com essa lengalenga é fazê-la passar outra temporada na farmácia.
Não estou recomendando grossura. É muito bom saber que a gente foi importante para alguém depois que o romance foi finalizado. Mas cautela aí no politicamente correto. Pessoas apaixonadas querem declarações apaixonadas. A transição de namorada para amiga só é rápida e indolor quando não há mais paixão. Cabe ao que saiu de cena ter sensibilidade para deixar o outro sofrer em paz, sem alimentar esperanças. Mais tarde, ânimos serenados, reconstrói-se a relação em outras bases, se for o caso. Atacar de melhor amigo sabendo que a garota está abalada pode parecer uma atitude bacana, mas é apenas sadismo.
"Calma. Nós ainda somos bem jovens. Daqui a pouco, quando a gente estiver lá pelos trinta, as pessoas amadurecem e começam a buscar todos aqueles objetivos dos quais você fala no seu texto. É óbvio que você vai achar alguém que queira casar, ter filhos e dividir uma vida inteira com você. Você é perfeita, linda, inteligente, meiga, carinhosa, coloca todos que estão ao seu redor para cima. É apenas uma questão de tempo. Talvez fosse o caso de você relaxar um pouco, e parar de tentar nadar contra a correnteza por um tempo. Isso cansa e nem sempre dá os resultados que a gente espera. Tá todo mundo curtindo a noite, os programas despreocupados, sem hora para voltar e sem satisfação para dar? Então tente entrar na dança e curtir um pouco esta fase. Afinal, ela é curta e, uma vez superada, não voltará mais. Deixe-se levar pela vida um pouco, sem tentar a todo o tempo ter o controle absoluto da situação. Ninguém tem esse controle, e tentar tê-lo muitas vezes só faz com que, no final, nós fiquemos com uma sensação horrível de que não conseguimos cumprir as nossas metas. Tenha menos metas a cumprir, isso retira um enorme peso das nossas costas, e permite com que nós fiquemos mais leves e, conseqüentemente, mais felizes com nós mesmos, com o que somos e com o que temos. Deixe-se levar pela vida e você verá que, daqui a pouco, ela vai te levar a um lugar muito melhor do que aquele ao qual você tinha planejado chegar."
Acho que ela está coberta de razão em suas previsões... me sinto o tempo todo nadando contra a correnteza... não só neste quesito, mas na minha visão política, na consciência ecológica, na minha postura profissional, na minha ética pessoal... me sinto realmente um ET não somente nos relacionamentos amorosos, mas em geral... e sinto sim, um enorme peso nas costas de me ver frequentemente frustrada, com metas não cumpridas, ou até com as muitas metas cumpridas ofuscadas por aquelas ainda por alcançar...atropelada pela correnteza.
Mas não me sinto infeliz... talvez um pouco só, incompreendida. Mas não infeliz. Acho que estaria infeliz me forçando a viver uma "juventude" que não me agrada. Mas concordo que talvez seja muito mais gratificante viver com menos expectativas. E é exatamente este o caminho que eu estou buscando.
De qq forma, obrigada pelo apoio. São os amigos que me fazem perceber que, apesar de nadando contra a maré, no fundo eu não estou completamente só.
Do mal-estar da minha geração
Esta pergunta vem me abrindo caminhos para muitas relexões nos últimos dias.
Observando as pessoas da minha geração me deparei com a triste constatação de que eu pareço um ET, e assim sou vista, ao confessar que sonho em formar uma família.
Para mim parece óbvio que eu e todos nós viemos ao mundo com o simples objetivo de procriar e assegurar a sobrevivência da nossa prole. E que todo o resto são meios de alcançar este fim.
Mas as pessoas da minha geração parecem achar que não... Vivem fixados na idéia de investir na sua própria "carreira", ou em ter uma vida repleta de prazeres imediatos e sem objetivos a longo prazo. O trabalho e o prazer deixaram de ser meios de garantir e colorir a existência e passaram a ser vistos como um fim em si. Mesmo que a tão valorizada satisfação pessoal não seja alcançada no tal trabalho, de que as pessoas vivem reclamando, nem nos prazeres distratores fugazes.
Todos trabalham demais e depois se engajam em inúmeras atividades puramente hedonistas para se aliviar da tensão gerada pelo excesso de trabalho...Mas a sensação de insatisfação permanece... o que fazer? Quem sabe mais um chopinho?
Sem moralismos, me parece evidente que nosso cérebro veio ao mundo programado para agir com um objetivo final e que este foi sumariamente deletado em favor do que o nosso próprio cérebro entende como simples atividades intermediárias. Daí o mal-estar dos nossos tempos. Claro que o coitado do cérebro não vai gostar nada dessa história de viver desviado de função! E reclama... em forma de sentimentos negativos, sintomas físicos... insatisfação.
Vivemos em círculos de atividades consideradas pela nossa programação inata como menos importantes, sem nunca alcançar o objetivo para que viemos aqui. E não é difícil intuir que nosso sistema vai aumentando a tensão progressivamente até o momento em que deveria entrar em ação um mecanismo de feedback negativo (como se dissesse: "ok. mission acomplished.") que desligaria o sistema. E isso nunca ocorre. Porque a minha geração sei lá por que considera que o objetivo para que a espécie veio programada não é mais importante. O importante agora é trabalhar, ter uma carreira, ganhar dinheiro, montar sua própria vida, para usufruir dela sozinho ou em companhia de outros que também só estão ali de passagem. O cérebro, ávido por vínculos durarouros, que se lixe! Por que a geração dos anos 70/80 se considera acima da natureza! Verdadeiros deuses...poderosos e sozinhos... andando em círculos como peixinhos de aquário...vivendo o momento!
Domingo, 16 de Novembro de 2008
Bloco do eu sozinho
Quarta-feira, 12 de Novembro de 2008
Eu amo meu presidente!
Do presidente Lula, ontem, para sindicalistas italianos.
Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008
Satisfação conjugal na pós-modernidade
Uma das grandes preocupações da Psicologia e de outras áreas do conhecimento humano é estudar meios de oferecer melhor qualidade de vida às pessoas. Um dos aspectos importantes e determinantes de uma boa qualidade de vida é a eficácia dos relacionamentos interpessoais, já que estes estão presentes, em grande parte do tempo, no dia-a-dia das pessoas.
Podemos considerar o relacionamento conjugal e a satisfação alcançada com o casamento um importante fator determinante da qualidade de vida de um indivíduo. Isso tanto em função da quantidade de tempo empregado nesta relação, quanto pelo valor simbólico que a “vida amorosa” adquire em nossa sociedade.
Este trabalho tem por objetivo a reflexão sobre as relações amorosas entre as pessoas na pós-modernidade, mais especificamente, sobre a satisfação conjugal nos dias atuais.
A reflexão sobre este tema partiu da leitura do livro “Amor Líquido”, de Zygmunt Bauman, que trata exatamente das relações romântico-sexuais entre os indivíduos na pós-modernidade. Entretanto, o que pretendo abordar neste trabalho vai além da discussão proposta por este autor.
O relacionamento conjugal na pós-modernidade e, principalmente a satisfação conjugal, são temas extremamente relevantes atualmente, porém, ainda pouco explorados pela literatura especializada. A discussão do casamento hoje passa apenas superficialmente pelas mudanças ocorridas na contemporaneidade. Assim, usamos velhos discursos para novos e inéditos problemas.
Certamente, não pretendo, com este trabalho, esgotar este tema. Por outro lado, busco trazer a tona algumas questões pertinentes acerca do assunto, tendo como pano de fundo a prática clínica.
Dessa forma, o objetivo molecular deste trabalho é explorar como a clínica de casais, aqui focando principalmente a abordagem cognitiva, pode ser enriquecida pelo estudo das questões, problemas e vantagens que a pós-modernidade traz para a relação e a satisfação conjugal.
Relacionamentos pós-modernos:
De acordo com Bauman (2004), em nosso mundo pós-moderno, caracterizado pela individualidade, os relacionamentos são bênçãos ambíguas. Oscilam entre o sonho e o pesadelo e não há como determinar quanto um se transforma no outro.
Hoje temos, por um lado, homens e mulheres lidando com seus sentimentos facilmente descartáveis e, por outro, ansiando pela segurança e pela mão amiga que possam contar num momento de aflição. Indivíduos desesperados por “relacionar-se”. No entanto, estes indivíduos desconfiam da condição de “estar ligado”, em particular, de estar ligado “permanentemente”, para não dizer eternamente. Isso porque temem que tal condição possa trazer encargos e tensões que eles não se consideram aptos nem estão dispostos a suportar e que podem limitar severamente a liberdade de que necessitam para relacionar-se.
No todo, o que as pessoas aprendem hoje é que compromisso, e em particular o compromisso a longo prazo, é a maior armadilha a ser evitada no esforço por “relacionar-se”. A hipótese de um relacionamento “indesejável, mas impossível de romper” é o que torna “relacionar-se” a coisa mais traiçoeira que se possa imaginar. “Estar num relacionamento” significa muita dor de cabeça, mas sobretudo uma incerteza permanente.
Comprometer-se com um relacionamento é, pois, uma faca de dois gumes. Manter ou não o casamento passa a ser uma questão de cálculo e decisão. Porém, não há motivo para supor que seu parceiro ou parceira não deseje, se for o caso, exercitar uma escolha semelhante, e que não esteja livre para fazê-lo, quando desejar. Essa consciência, por sua vez, acaba por aumentar ainda mais a sensação de incerteza.
O casamento ao estilo antigo “até que a morte nos separe”, já desestabilizado pela co-habitação “vamos ver como funciona”, ou “morar juntos”, reconhecidamente temporária, é substituído, na pós-modernidade, pelo “ficar juntos”, de horário parcial ou flexível.
Abandonar e destituir foram celebrados, por um breve período, como a derradeira libertação do sexo da prisão em que era mantido por uma sociedade moderna patriarcal e puritana.Teríamos, afinal, um relacionamento mais puro, um encontro que não servia a outro propósito senão o prazer e a alegria. Uma felicidade de sonho, sem restrições, sem medo de efeitos colaterais e, portanto, alegremente cega às suas conseqüências. Uma felicidade do tipo “satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta”. A mais completa encarnação da liberdade, tal como definida pela sabedoria e pela prática populares da sociedade de consumo.
Afinal, se, em nossa sociedade consumista, automóveis, computadores ou telefones celulares perfeitamente usáveis, em bom estado e em condições de funcionamento satisfatório são considerados, sem remorso, como um monte de lixo no instante em que novas e aperfeiçoadas versões aparecem nas lojas e se tornam o assunto do momento, porque as parcerias seriam consideradas uma exceção à regra?
O que caracteriza o consumismo não é acumular bens, mas usá-los e descartá-los em seguida a fim de abrir espaço para outros bens e usos. A vida consumista favorece a leveza e a velocidade. E também a novidade e a variedade que elas promovem e facilitam.
De acordo com Volkmar Sigusch, citado por Bauman (2004), todas as formas de relacionamento íntimo atualmente em voga portam a mesma máscara de falsa felicidade que foi usada pelo amor conjugal e mais tarde pelo amor livre. Ao olharmos mais de perto, descobrimos anseios não-realizados, nervos em frangalhos, amores frustrados, sofrimentos, medos, solidão, hipocrisia, egoísmo e compulsão à repetição.
É correto, talvez até estimulante e ao mesmo tempo maravilhoso, que o sexo seja assim liberado. O problema é como mantê-lo na forma quando não se dispõe mais de estruturas.
Pode-se pensar hoje que as íntimas conexões do sexo com o amor, a segurança, a permanência e a imortalidade, via continuação da família, presentes antigamente, não eram, afinal de contas, tão inúteis e constrangedoras como se imaginava que fossem. Os antigos companheiros do sexo, supostamente antiquados, talvez fossem seus sustentáculos necessários.
Dentro deste modelo, nem o amor “até que a morte nos separe” nem consentir em estabelecer compromissos sem volta eram considerados redundantes – muito menos percebidas como limitadoras e opressivas. Pelo contrário, costumavam ser os “instintos naturais”. Tampouco eram, de qualquer ponto de vista, “irracionais”: eram os equipamentos e manifestações necessários e obrigatórios da racionalidade do homem. O amor e a disposição para procriar eram companheiros indispensáveis do sexo, da mesma forma que as uniões duradouras que ajudavam a criar eram produtos principais e não efeitos colaterais dos atos sexuais.
Dessa maneira, privado de seu antigo prestígio social e dos significados que antes eram socialmente aprovados, o sexo encerra hoje a incerteza aflitiva e alarmante que se tornou a principal ruína líquida da vida moderna.
Todavia, não há sentido em comparar os sofrimentos da passado e do presente, tentando descobrir qual deles é menos suportável. Cada angústia fere e atormenta no seu próprio tempo.
O que temos de concreto no presente é que esse dilema dos relacionamentos na pós-modernidade não tem uma boa solução. Pior ainda, que ele está impregnado de um paradoxo: não apenas a relação falha em termos da necessidade que deveria cumprir, mas torna essa necessidade ainda mais presente.
Além disso, se não há uma boa solução para um dilema, as pessoas tendem a se comportar de modo irracional, aumentando o problema e tornando ainda menos plausível resolvê-lo. O que vemos hoje é que, ao se sentirem inseguros, os amantes tendem a se portar de modo não-construtivo.
Conceitos da literatura que contribuem para a reflexão:
De acordo com Epstein e colaboradores (2003), expectativas são as predições que as pessoas fazem sobre a probabilidade de determinados eventos ocorrerem no futuro, em condições específicas. As expectativas negativas podem exacerbar o estresse, porque os estressores antecipados podem ser tão ou mais perturbadores do que os eventos reais do relacionamento.
Quando um casal inicia um relacionamento, vão sendo absorvidos um conjunto de crenças e expectativas que cada um desenvolveu em função de sua biologia, de sua cultura, dos modelos que teve na vida e do resultado de suas experiências com o meio que atuou e que atua (Tanganelli, 2003). As expectativas que cada parceiro tem sobre a natureza do relacionamento íntimo influem na dinâmica do relacionamento em função das distorções nas avaliações que eles podem apresentar sobre o mesmo.
Por outro lado, temos as suposições e os padrões, que são duas formas de esquemas cognitivos ou representações internas relativamente estáveis que o indivíduo tem para caracterizar coisas e acontecimentos, bem como para compreender as relações entre eles. Em termos das cognições dos casais sobre relacionamentos, as suposições são crenças a respeito da natureza humana e da maneira pela qual duas pessoas se comportam entre si em um relacionamento íntimo. Os padrões são as crenças sobre as características que parceiros íntimos e seus relacionamentos “deveriam” ter.
Em terapia, cabe ao terapeuta ajudar o casal a “reescrever” padrões e suposições extremos, criando visões mais moderadas e ainda consistentes com os valores básicos da pessoa.
A terapia cognitiva para casais, conforme proposta por Beck (1995), enfatiza fortemente os esquemas. A intervenção terapêutica se baseia em pressuposições por meio das quais os membros da família se interpretam e se avaliam mutuamente e nas emoções e comportamentos gerados em resposta a essas cognições. Assim como o indivíduo mantem esquemas básicos sobre si, seu mundo e seu futuro, ele também mantém esquemas sobre sua família. Esses esquemas, provocam distorções na percepção e interpretação da realidade de modo a fazê-la convergir com o esquema. Dessa forma, os esquemas costumam se auto-perpetuar, em um ciclo infinito.
Os esquemas familiares são crenças compartilhadas que a família formou como resultados de anos de interação integrada entre os membros da unidade familiar. Dattilio (2003) sugere que os indivíduos basicamente mantém dois conjuntos de esquemas separados sobre famílias. Estes referem-se a esquemas familiares relacionados à família de origem dos cônjuges e esquemas relacionados a famílias em geral. Os esquemas familiares também contêm idéias sobre como os relacionamentos conjugais deveriam funcionar.
A família de origem de cada parceiro de um relacionamento desempenha um papel crucial na formação do esquema sobre a família imediata. Crenças oriundas da família de origem podem ser conscientes ou inconscientes e contribuem para um esquema conjunto associado, que leva ao desenvolvimento do esquema sobre a família atual. Entretanto, os esquemas familiares, apesar da estabilidade característica dos esquemas, estão sujeitos a mudança, à medida que acontecimentos importantes vão ocorrendo na vida familiar.
Ainda, Del Prette, A. e Del Prette, Z.A.P. (2001, pág. 31) definem habilidades sociais como “experiências de diferentes classes de comportamentos sociais no repertório do indivíduo para lidar de maneira adequada com as demandas das situações interpessoais”. Desempenho social seria “a emissão de um comportamento ou seqüência de comportamentos emitidos em uma situação social qualquer.” Por fim, o termo competência social “tem sentido avaliativo que remete aos efeitos do desempenho social nas situações vividas pelo indivíduo, qualificando, portanto, a proficiência de um desempenho e referindo-se à capacidade do indivíduo de organizar pensamentos, sentimentos e ações em função de seus objetivos e valores e articulando-os às demandas imediatas e mediatas do ambiente.”
Os comportamentos socialmente habilidosos são, em grande parte, aprendidos na interação do indivíduo com o seu ambiente. Começam a ser desenvolvidos na infância (modelo de pessoas próximas, modelagem social e esquemas de reforçamento) e podem continuar o desenvolvimento, dependendo das contingências a que são submetidas (Skinner, 1989). A aquisição do repertório comportamental socialmente habilidoso envolve um aprendizado durante toda a vida através da interação do indivíduo com seu meio social, no exercício crescente de novos papéis e assimilação de normas culturais (Del Prette e Del Prette, 1999).
A literatura tem mostrado que as habilidades sociais constituem em importante ingrediente das relações conjugais satisfatórias e que a competência social é determinada por múltiplos fatores, incluindo-se aí as crenças e normas individual ou coletivamente assimiladas.
Sabemos hoje que indivíduos com um repertório adequado de habilidades sociais têm maior probabilidade de apresentarem satisfação no relacionamento conjugal do que aqueles que não o desenvolveram (Flora e Segrin, 1999).
A satisfação conjugal é, ainda, relacionada indiretamente com a capacidade de resolução de problemas (componente das habilidades sociais). No estudo de Dela Coleta (1992), experiências de sucesso na resolução de problemas levaram o casal a aumentar suas expectativas de controle interno, que é relacionado a maior satisfação conjugal.
Em muitos casos de separação e/ou busca de auxílio terapêutico, têm-se constatado que a causa está nas dificuldades de um ou ambos os cônjuges no que diz respeito às habilidades interpessoais. Estas pessoas, por algum motivo, não desenvolveram um repertório satisfatório para se comunicarem, expressarem sentimentos, opiniões e desejos, ouvirem o outro, entre outras habilidades. Então, acabam vivendo num ambiente aversivo para ambos, com escassez de reforçadores positivos.
Por outro lado, observa-se que há cônjuges extremamente habilidosos socialmente que conseguem reforçar-se mutuamente, expressar seus sentimentos, desejos e opiniões, constituindo assim um ambiente saudável, que possibilita o desenvolvimento pessoal de ambos e a educação de seus filhos para serem também emocionalmente saudáveis e socialmente habilidosos.
Os aspectos reforçadores dos relacionamentos conjugais, ou seja, mais conseqüências recompensadoras que negativas e reciprocidade do casal na emissão de reforçadores, possibilitam a manutenção do relacionamento maximizando a sua qualidade.
Casais mais satisfeitos possuem um relacionamento rico em reforçadores positivos, habilidades de resolução de problemas, equilíbrio entre fornecer e receber reforço positivo e demais fatores que dependem, entre outros aspectos, das habilidades sociais de ambos.
Discussão:
Num cenário como o que vivemos hoje na Pós-modernidade, aqueles que optam por casar-se, por renunciar às diversas oportunidades, sofrem, além das pressões endógenas inerentes à dinâmica da vida conjugal, pressões exógenas, em função dos novos arranjos sociais e de relacionamentos que se colocam nesta época, diferentemente de seus pais e avós.
Manter ou pretender manter, atualmente, um casamento por toda a vida é “nadar contra a corrente”, na medida em que inúmeras e promissoras oportunidades de felicidade em relacionamentos “mais simples” e com “menor esforço pessoal” que o casamento se mostram. Assim, a satisfação conjugal passa a ser vista sob um novo ângulo.
A satisfação conjugal passa a ser entendida como: 1) Condição sine qua non para se permanecer casado, algo imprescindível para a manutenção do casamento 2) Uma recompensa pelo esforço feito em ficar casado, 3) Algo a ser alcançado a qualquer custo, 4) O grande objetivo de plenitude, tranquilidade e segurança, que faria do casamento uma melhor opção existencial do que as “relações de bolso”. Se a satisfação conjugal não é alcançada em sua plenitude, temos o grande número atual de divórcios (Afinal, por que permanecer numa relação não satisfatória se esta já não é a única opção de se encontrar a felicidade, como era concebida até alguns anos atrás), frustração e, conseqüentemente, depressão.
Segundo a estatística apresentada pela revista Veja em 11/09/1999, o índice de divórcios nos EUA é de 60%, na Inglaterra, 40%, e no Brasil, de 25% (IBGE, 1995). Este índice aumenta a cada dia em todo o mundo e surgem mudanças nas expectativas sobre o que é um bom casamento.
Os dados sugerem, ainda, que o casamento tradicional (marido provedor, mulher dependente, obediente e submissa) tem sido substituído por uma relação de maior amizade, afinidade, divisão de tarefas e despesas.
Atualmente, os esquemas sobre o funcionamento conjugal, construídos ao longo de nosso desenvolvimento, tomando por base nossa família de origem, não mais se encaixam totalmente em nossa realidade pós-moderna. Entretanto, sabemos o quanto estes esquemas são difíceis de serem modificados e como estes se auto-protegem de elementos da realidade que possam desconfirmá-los, gerando um conflito perene entre o que acreditamos ser o modelo de relacionamento e a nova realidade que se impõe.
Hoje, tanto o homem quanto a mulher precisam de muito mais do que seus avós necessitavam para serem felizes. A sociedade de consumo da pós-modernidade impõe sua lógica não somente sobre os produtos, mas também sobre os relacionamentos e a satisfação que estes “devem” proporcionar. Como hoje estar casado é uma opção e não mais uma etapa necessária da vida de praticamente todos os seres humanos, ao se trocar a oferta de quantidade por uma relação monogâmica, exige-se, em troca, mais qualidade.
Assim, as exigências e as expectativas se tornam cada vez maiores e mais amplas e a satisfação conjugal, quando estas não são atendidas, também, conseqüentemente, mais distante de ser alcançada.
Vivemos buscando mais e cada vez menos satisfeitos, num ciclo vicioso em que os objetivos não-alcançáveis e não-alcançados, alimentam a crença predominante de que se precisa de cada vez mais. O preço desta roda-viva frenética é a insatisfação tanto dos solteiros quanto dos casados, divorciados e “semi-casados”.
Ainda, num momento em que as pessoas, particularmente as mulheres, estão buscando cada vez mais satisfazer às suas necessidades, surgem conflitos nos relacionamentos, quando estas buscas não convergem para um mesmo ponto.
Hoje em dia, as pessoas, até mesmo as mulheres, têm, teoricamente, tudo o que precisam para viverem sozinhas. Assim, ao atrelarem suas vidas à de outra pessoa, procuram alguém que as faça feliz, que as liberte do vazio existencial e não alguém que as “atrapalhe”. Mas isso é um paradoxo, pois na medida em que vivemos com outras pessoas, precisamos também atender às suas necessidades. Este outro que preenche o vazio de cada um, não pode ser apenas mais um bem de consumo. Os indivíduos da sociedade de consumo por vezes se esquecem que o outro é também um ser humano e, como tal, possuiu suas próprias necessidades.
Como conciliar, principalmente para as mulheres, mas também para os homens, os ideais de família e casamento arraigados em nossa memória coletiva e em nossos esquemas? Como evitar que estes moldem as nossas expectativas, num mundo em que o que se vê é uma inversão da ordem até então corrente, com, por exemplo, a crescente participação da mulher na vida social e profissional, o que gera profundas alterações em seu papel social, mas também no papel social de seu companheiro e na realidade do funcionamento familiar? Como lidar com a frustração de não ter as expectativas atingidas?
Como conciliar os objetivos atuais dos parceiros, suas crenças? Temos, de um lado, a mulher buscando conquistar seu espaço profissional e, do outro, o homem querendo deixar de ser o depositário único de todas as responsabilidades de sustento e proteção da família, apreciando a ajuda de sua parceira fora de casa. De que forma podemos lidar com essa realidade tendo em vista o modelo de família que originou nossos esquemas e nossas expectativas?
A solução provisoriamente encontrada pelas famílias hoje é a chamada “tripla jornada feminina”: emprego, família e afazeres domésticos. Porém, como toda solução, esta também tem seus problemas: mulheres cansadas, estressadas, pressionadas e frustradas que e porque não conseguem dar conta de tudo, se sentindo injustiçadas por assumirem tantas tarefas, porque não conseguem dedicar-se tanto ao parceiro e aos filhos e se sentem culpadas por isso, mas que também precisam lidar com um mercado de trabalho onde elas têm os mesmo deveres e, entretanto, direitos distintos dos homens. E homens, por sua vez, também insatisfeitos e frustrados com a sua situação, com a provável perda da qualidade e frequência da vida sexual, com a falta de tempo, com a incerteza quanto ao seu papel social e o de sua esposa, sem saber o que esperar. O indivíduo pós-moderno está sempre em dívida. Enfim, pressões que hoje existem e contribuem para que cada vez mais casais se sintam frustrados e insatisfeitos.
Desta forma, torna-se mais importante ainda nos dias de hoje pensarmos em habilidades interpessoais que permitam aos indivíduos solucionarem e lidarem com seus conflitos e divergências, para que possam se realizar sem ter que abrir mão do casamento e ainda assim obter satisfação conjugal.
Neste novo modelo de relacionamento, é fundamental conviver, saber da vida do outro, conversar, trocar idéias sobre qualquer assunto e saber ouvir. Pode-se observar que os indivíduos envolvidos em um relacionamento conjugal estão buscando, no seu dia-a-dia, mesmo que ingenuamente e sem conhecer cientificamente o conceito, comportamentos socialmente habilidosos dentro do contexto do casamento.
Por outro lado, na medida em que a proximidade entre as pessoas é substituída pelas “relações virtuais”, as habilidades sociais tornam-se menos importantes e valorizadas. Portanto, dedica-se menos tempo e esforço ao seu aprendizado o que faz com que as pessoas praticamente não as tenham e precisem procurar cada vez mais relações virtuais, que exigem menos o uso destas habilidades interpessoais, onde possam se sentir mais confortáveis.
O desvanecimento destas habilidades de sociabilidade é reforçado e acelerado pela tendência, inspirada no estilo de vida consumista dominante, a tratar os outros seres humanos como objetos de consumo e a julgá-los, segundo o padrão desses objetos, pelo volume de prazer que provavelmente oferecem.
Nesse processo, os valores intrínsecos dos outros como seres humanos singulares (e assim também a preocupação com eles por si mesmos, e por essa singularidade) estão quase desaparecendo de vista. A solidariedade humana é a primeira baixa causada pelo triunfo do mercado consumidor.
Sabe-se, também, que casais mais habilidosos no manejo de situações sociais tendem a apresentar um maior grau de satisfação conjugal e um menor índice de divórcios. Entretanto, como alcançar efetivamente essa satisfação? Como ajudar os indivíduos que, filhos da nossa sociedade pós-moderna, não conseguiram desenvolver essas habilidades de maneira satisfatória?
Além disso, será que os esquemas familiares, caracteristicamente tão estáveis, podem ser trabalhados para tornar o indivíduo mais adaptado para manejar com essa realidade e suas mudanças tão repentinas?
Ainda, se os problemas específicos trazidos pela era em que vivemos forem abordados de forma mais direta e menos abstrata, remodelando as expectativas distorcidas individuais, no âmbito da clínica, podemos obter melhores resultados em termos de satisfação conjugal? Será que as intervenções com casais hoje consideram estas questões? Será que são eficazes para os casais pós-modernos?
Essas questões não são assim tão simples de serem abordadas na clínica e transpostas para a prática da intervenção com casais. Contudo, parece razoável que, num momento em que os novos desafios colocados para os casais no presente se tornam tão pregnantes, a clínica possa ensaiar uma leitura inteligente dessa realidade de modo a planejar intervenções que estejam convergentes com os problemas reais e objetivos enfrentados pelos indivíduos contemporâneos.
O Santo Graal
Em seu livro “Felicidade”, Eduardo Giannetti procura responder a uma das questões mais difíceis da humanidade: O que é a felicidade?
Na sabedoria popular, diz-se que “dinheiro não compra felicidade”. Verificamos, também, que não há nenhum sistema socioeconômico que possa, por si só, assegurar a felicidade e a realização pessoal dos indivíduos, a ele submetido. Feudalismo, Mercantilismo, Socialismo e Capitalismo, mesmo tendo promovido gradualmente a melhoria das condições de vida da população, não conseguiram resolver o problema.
Será que a ausência de felicidade é o preço que a humanidade paga pelo avanço da civilização, um castigo eterno pela perda do estado de natureza? Um castigo tal como Adão e Eva ao morder o fruto proibido?
Do ponto de vista da tecnologia, ao contrário do que se poderiam imaginar, os avanços tecnológicos não só não trazem a tão sonhada felicidade, como colocam para os seres humanos, novas questões para se preocupar, como o excesso de tarefas e, a eterna luta contra o tempo. Afinal, segundo os estudos da Psicologia Evolucionista (Cosmides & Tooby, 1997), nosso aparato cognitivo foi desenhado ao longo da evolução para resolver os problemas típicos da Idade da Pedra e não os problemas que os tempos atuais nos colocam.
O desenvolvimento filogenético da espécie não é capaz de acompanhar a velocidade das mudanças ambientais. De acordo com esta perspectiva, portanto, a rapidez das mudanças no nosso processo civilizatório seria uma agressão às nossas bases primitivas e o nosso cérebro estaria, então, fadado a lutar para tentar dar conta de cada nova mudança.
Podemos ainda refletir sobre como vemos com freqüência, hoje em dia, a felicidade ser relaciona à quantidade de neurotransmissores tais como dopamina e serotonina, nas fendas sinápticas específicas de seus respectivos neurônios. Entretanto, se assim fosse, porque a grande maioria dos pacientes medicados com inibidores seletivos de recaptação de serotonina (como a fluxetina ou a paroxetina, por exemplo) ou os usuários de drogas que estimulam a liberação de dopamina (como a cocaína, a heroína ou mesmo a cafeína), não se consideram felizes?
Outra possibilidade, seria que o ser humano somente conseguiria definir felicidade em função do contraste com a infelicidade. Estaríamos assim, num paradoxo, onde precisamos ser infelizes para sabermos o que precisamos para sermos felizes. O descontentamento seria, dessa forma, o motor da busca.
Será, ainda, que se todos os seres humanos se considerassem felizes, tal felicidade seria tão valorizada? Pensemos na lei maior do mercado, a Lei da Oferta e da Procura. Se todos fossem felizes, haveria muita oferta de felicidade e pouca procura. Poderíamos considerar o problema resolvido? Pensemos, então, em outro princípio regente do consumo, que diz que o ideal de consumo é aquele que poucos possuem, o artigo raro. Nesse momento podemos concluir que a felicidade só é importante na medida em que muitos não a possuem. Por este raciocínio, podemos ainda imaginar que o dia que todos finalmente alcançarmos a felicidade, voltaremos a sermos infelizes. Estamos mergulhados em num paradoxo insolúvel?
De acordo com Eduardo Giannetti, descobrir o que é a felicidade implica em refletir sobre o que é realmente importante na vida. Contudo, se cada ser humano é único e, mais ainda, se cada pessoa se modifica com o passar do tempo, como definir o que faz alguém feliz?
É exatamente esta a mensagem implícita que o leitor pode apreender da estratégia literária de Eduardo Giannetti, em seu livro “Felicidade”. Ao promover um debate entre personagens muito diferentes entre si sobre o que seria, afinal, a felicidade humana, ele nos provê de diferentes e interessantes perspectivas para a reflexão, muitas delas, até então, pouco presentes na definição que o senso comum propõe sobre este tema. É através da fala dos personagens Melo, Otto, Leila e Alex, que o autor coloca estes diferentes pontos de vista. Sob a forma de um diálogo filosófico, o texto, mais do que apontar uma conclusão, tem o objetivo de provocar, tal como Sócrates na Antiguidade, a dúvida e a reflexão do leitor. E além de provocar a reflexão, este livro traz ainda valiosas informações que a embasam.
A cada capítulo, o leitor identifica-se com um determinado ponto de vista apresentado por um dos personagens, ou com vários deles ao mesmo tempo. O debate prende a atenção, levando o leitor a pensar sobre os argumentos de cada um dos personagens e a formar sua própria opinião. O texto nos leva, assim, a “tomar partido” de um ou outro personagem a cada momento.
Portanto, a grande mensagem deste livro é a de que a definição de felicidade é única para cada um de nós e, em cada momento de nossa vida, esta pode se modificar, nos levando a uma busca eterna e infinita por esta que poderia ser considerada o verdadeiro Santo Graal da humanidade. Na realidade, poderíamos considerar que a felicidade ou a ausência dela é fruto das nossas escolhas, da forma como optamos por conduzir a nossa existência, das expectativas que fazemos a respeito de nossa vida e do que efetivamente fazemos para tornar estas expectativas realidade.
Uma boa conclusão seria que, se as pessoas não estão certas sobre o que desejam, elas podem estar sistematicamente equivocadas sobre o que poderia torná-las felizes. Tal qual a procura do Santo Graal, buscamos algo que não sabemos o que é, onde está, ou mesmo se realmente existe.
Referências Bibliográficas:
Cosmides, L. e Tooby, J. (1997). Evolutionary Psychology: A Primer. Disponível eletronicamente em: http://www.psych.ucsb.edu/research/cep/primer.html
Giannetti, E. (2002). Felicidade: diálogos sobre o bem-estar da civilização. São Paulo: Cia das Letras.
Informações sobre o autor:
http://www.ibmecsp.edu.br/inst/modules/shortbios.php?recid=186&popup=1