Hoje conversei com uma pessoa que me disse que gosta muito de fazer coisas pelos outros. Mesmo sabendo que a maioria das pessoas não é como ele e que, portanto, sempre acaba recebendo bem menos do que costuma dar. E que não se sente passado pra trás, não sente raiva. Acha que isso é apenar "fazer a sua parte" e que se todos fizessem a sua parte, o mundo seria melhor.
Fiquei impressionada com a simplicidade e propriedade do raciocínio. Simples e óbvio.
Mas porque será que, mesmo me considerando uma pessoa razoavelmente preocupada com o bem-estar alheio, eu não consigo fazer pelos outros sem esperar algo de volta? Sem ficar chateada, decepcionada, com raiva, quando acho que não estou sendo tão considerada quanto gostaria.
Existe um explicação na psicologia evolucionista de que tanto ser excessivamente autruísta quanto egoísta é menos adaptativo do que agir com reciprocidade. Se você divide sua comida sem pedir nada em troca, corre o risco de passar fome. Mas se também nunca divide seu pedaço de carne, provavelmente também vai passar fome se não conseguir caçar sozinho. Assim, parece que o cérebro humano evoluiu programado para dar e esperar receber em troca e a reagir se o contrato for rompido, de forma a estabelecer um equilíbrio justo de divisão de recursos entre os indivíduos.
Confesso que sou fã de carteirinha dos evolucionistas. Entretanto, sem discordar deles, hoje pensei que esse mecanismo pode ser vantajoso pra espécie, mas pra mim é uma merda! Não seria tão melhor viver como esse cidadão, que faz pelos outros e fica feliz porque fez a sua parte?
Ao ouvi-lo falar, com tamanha tranquilidade, sobre a felicidade que ele experimenta em ajudar alguém e no quanto ele entende que nem todos vão fazer o mesmo por ele e que é assim mesmo, fiquei me roendo de inveja!
Queria ter vindo com esse gene.
terça-feira, 29 de julho de 2008
Entrevista psiquiátrica vapt-vupt
“Se você fala com deus, você é religioso; se ele responde, você é psicótico.”
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Visão de mundo.
Achei esta charge em algum dos inúmeros sites em favor da ciência que eu gosto de frequentar. Acho que, de uma forma simples, ela mostra o quanto em alguns momentos o pensamento mágico/ religioso/ supersticioso pode atravancar o desenvolvimento dos conhecimentos e da própria humanidade.Em outros tempos eu achava que as instituições, normalmente religiosas, que cultuam este tipo de erro de pensamento o faziam por pura busca de poder e ponto. Hoje não deixo de acreditar nem por um momento que realmente é muito fácil e útil usar a religião para manipular o comportamento e as crenças das pessoas e, em última instância, obter poder. Entretanto, a pergunta que me intriga é: Porque os seres humanos se sentem tão atraídos por pensamentos pouco lógicos? Observe no seu dia a dia, como é fácil imaginar que existe sentido por trás do acaso, que existe destino, que eventos claramente independentes podem estar ligados por algum tipo de "cola" mágica, que há alguém a olhar por cada um de nós, particularmente...
Assim, penso que certamente os responsáveis pelas instituições religiosas vêm no pensamento mágico dos humanos uma forma fácil de controlá-los, mesmo que para isso seja preciso distorcer os fatos. A pergunta é por que tanta gente acredita...
Sobre a pressa, a incerteza e o futuro.
Estou num momento de reflexão sobre o estilo de vida que vinha adotando até então. Algumas premissas básicas desta forma de viver que eu hoje questiono são a necessidade de fazer coisas, realizar, ter segurança, assegurar um futuro, colocar carreira, dinheiro e trabalho como sinônimos de segurança, quase numa tentativa de eliminar a incerteza do futuro.
Ontem li no jornal uma reportagem sobre uma nova "filosofia" chamada Nadismo. Basicamente um povo que se reúne pra ficar sem fazer nada. A primeira coisa que pensei foi que isso é muito parecido com o que chamamos de Meditação. Há alguns meses, no início da minha busca por qualidade de vida, resolvi fazer um curso de meditação transcendental. Achei o máximo! Consiste simplesmente em ficar sentado uns 20 minutos duas vezes por dia pensando numa palavrinha. Sem pressão de ter que pensar nela, sem ter que se concentrar... Só se lembrar de voltar a pensar na tal palavrinha quando você se flagrar pensando em outra coisa. Realmente o máximo... dá um relaxamento que parece até um barato... Mas não é que eu não consigo parar os tais 20 minutos todo dia? Será que me faltam 20 minutos? Penso que não. Mesmo quando me sobram alguns minutos, eu prefiro usá-los "me divertindo", ou mesmo fazendo um monte de coisas que, na verdade, não são nada... como este blog ... pra "relaxar". Gostei da história de tentar não fazer NADA. Parece que nem pensar pode (pra isso eu acho que vou ter que treinar muito...).
Mas não sei se o caminho é só me forçar a não fazer nada. Acho que vou sempre inventar algo "mais interessante" pra fazer, como aconteceu com a minha tentativa de meditação. Talvez eu tenha que, junto com essa mudança comportamental, tentar entender quais são os pressupostos que eu assumi pra minha vida que me fazem TER que estar sempre fazendo coisas.
E foi pensando sobre isso que eu cheguei à conclusão que, pra mim, trabalhar, produzir, ganhar dinheiro, ou mesmo batalhar por uma carreira que no futuro me dê dinheiro, são uma forma de tentar reduzir o tamanho da incerteza sobre o futuro que me assombra. Talvez seja este meu maior medo: um futuro que eu não sei como vai ser. E para o qual eu vivo me preparando.
De qualquer forma, a pergunta que hoje surgiu na minha cabeça foi: quando esse tal "futuro" vai começar? Pode ser que já tenha começado eu eu estivesse tão ocupada me preparando pra ele que não tenha ainda começado a vivê-lo.
Agora resta saber se eu vou começar a meditar quando terminar de escrever este texto ou se eu vou "precisar" checar os meus e-mails...
Ontem li no jornal uma reportagem sobre uma nova "filosofia" chamada Nadismo. Basicamente um povo que se reúne pra ficar sem fazer nada. A primeira coisa que pensei foi que isso é muito parecido com o que chamamos de Meditação. Há alguns meses, no início da minha busca por qualidade de vida, resolvi fazer um curso de meditação transcendental. Achei o máximo! Consiste simplesmente em ficar sentado uns 20 minutos duas vezes por dia pensando numa palavrinha. Sem pressão de ter que pensar nela, sem ter que se concentrar... Só se lembrar de voltar a pensar na tal palavrinha quando você se flagrar pensando em outra coisa. Realmente o máximo... dá um relaxamento que parece até um barato... Mas não é que eu não consigo parar os tais 20 minutos todo dia? Será que me faltam 20 minutos? Penso que não. Mesmo quando me sobram alguns minutos, eu prefiro usá-los "me divertindo", ou mesmo fazendo um monte de coisas que, na verdade, não são nada... como este blog ... pra "relaxar". Gostei da história de tentar não fazer NADA. Parece que nem pensar pode (pra isso eu acho que vou ter que treinar muito...).
Mas não sei se o caminho é só me forçar a não fazer nada. Acho que vou sempre inventar algo "mais interessante" pra fazer, como aconteceu com a minha tentativa de meditação. Talvez eu tenha que, junto com essa mudança comportamental, tentar entender quais são os pressupostos que eu assumi pra minha vida que me fazem TER que estar sempre fazendo coisas.
E foi pensando sobre isso que eu cheguei à conclusão que, pra mim, trabalhar, produzir, ganhar dinheiro, ou mesmo batalhar por uma carreira que no futuro me dê dinheiro, são uma forma de tentar reduzir o tamanho da incerteza sobre o futuro que me assombra. Talvez seja este meu maior medo: um futuro que eu não sei como vai ser. E para o qual eu vivo me preparando.
De qualquer forma, a pergunta que hoje surgiu na minha cabeça foi: quando esse tal "futuro" vai começar? Pode ser que já tenha começado eu eu estivesse tão ocupada me preparando pra ele que não tenha ainda começado a vivê-lo.
Agora resta saber se eu vou começar a meditar quando terminar de escrever este texto ou se eu vou "precisar" checar os meus e-mails...
Sobre relações, passado e idealizações. II
Vinicius.
Agonia
No teu grande corpo branco depois eu fiquei.Tinha os olhos lívidos e tive medo.Já não havia sombra em ti – eras como um grande deserto de areia Onde eu houvesse tombado após uma longa caminhada sem noites.Na minha angústia eu buscava a paisagem calma Que me havias dado tanto tempo Mas tudo era estéril e mostruoso e sem vida E teus seios eram dunas desfeitas pelo vendaval que passara.Eu estremecia agonizando e procurava me erguer Mas teu ventre era como areia movediça para os meus dedos.Procurei ficar imóvel e orar, mas fui me afogando em ti mesma Desaparecendo no teu ser disperso que se contraía como a voragem.Depois foi o sono, o escuro, a morte.Quando despertei era claro e eu tinha brotado novamente Vinha cheio do pavor das tuas entranhas.
Agonia
No teu grande corpo branco depois eu fiquei.Tinha os olhos lívidos e tive medo.Já não havia sombra em ti – eras como um grande deserto de areia Onde eu houvesse tombado após uma longa caminhada sem noites.Na minha angústia eu buscava a paisagem calma Que me havias dado tanto tempo Mas tudo era estéril e mostruoso e sem vida E teus seios eram dunas desfeitas pelo vendaval que passara.Eu estremecia agonizando e procurava me erguer Mas teu ventre era como areia movediça para os meus dedos.Procurei ficar imóvel e orar, mas fui me afogando em ti mesma Desaparecendo no teu ser disperso que se contraía como a voragem.Depois foi o sono, o escuro, a morte.Quando despertei era claro e eu tinha brotado novamente Vinha cheio do pavor das tuas entranhas.
Vinicius.
A terra prometida
Poder dormir Poder morar Poder sair Poder chegar Poder viver Bem devagar E depois de partir poder voltar E dizer: este aqui é o meu lugar E poder assistir ao entardecer E saber que vai ver o sol raiar E ter amor e dar amor E receber amor até não poder mais E sem querer nenhum poder Poder viver feliz pra se morrer em paz
Sobre relações, passado e idealizações.
Vinícius.
A miragem
Não direi que a tua visão desapareceu dos meus olhos sem vida Nem que a tua presença se diluiu na névoa que veio.Busquei inutilmente acorrentar-te a um passado de dores Inutilmente.Vieste – tua sombra sem carne me acompanha Como o tédio da última volúpia.Vieste – e contigo um vago desejo de uma volta inútil E contigo uma vaga saudade…És qualquer coisa que ficará na minha vida sem termo Como uma aflição para todas as minhas alegrias.Tu és a agonia de todas as posses És o frio de toda a nudez E vã será toda a tentativa de me libertar da tua lembrança.Mas quando cessar em mim todo o desejo de vida E quando eu não for mais que o cansaço da minha caminhada pela areia Eu sinto que me terás como me tinhas no passado – Sinto que me virás oferecer a água mentirosa Da miragem.Talvez num ímpeto eu prefira colar a boca à areia estéril Num desejo de aniquilamento.Mas não. Embora sabendo que nunca alcançarei a tua imagem Que estará suspensa e me prometerá água Embora sabendo que tu és a que foge Eu me arrastarei para os teus braços.
A miragem
Não direi que a tua visão desapareceu dos meus olhos sem vida Nem que a tua presença se diluiu na névoa que veio.Busquei inutilmente acorrentar-te a um passado de dores Inutilmente.Vieste – tua sombra sem carne me acompanha Como o tédio da última volúpia.Vieste – e contigo um vago desejo de uma volta inútil E contigo uma vaga saudade…És qualquer coisa que ficará na minha vida sem termo Como uma aflição para todas as minhas alegrias.Tu és a agonia de todas as posses És o frio de toda a nudez E vã será toda a tentativa de me libertar da tua lembrança.Mas quando cessar em mim todo o desejo de vida E quando eu não for mais que o cansaço da minha caminhada pela areia Eu sinto que me terás como me tinhas no passado – Sinto que me virás oferecer a água mentirosa Da miragem.Talvez num ímpeto eu prefira colar a boca à areia estéril Num desejo de aniquilamento.Mas não. Embora sabendo que nunca alcançarei a tua imagem Que estará suspensa e me prometerá água Embora sabendo que tu és a que foge Eu me arrastarei para os teus braços.
domingo, 27 de julho de 2008
No meu quadro de ímãs...
"O otimista erra tanto quanto o pessimista, mas não sofre por antecipação."
"Nossa cabeça é redonda pra permitir ao pensamento mudar de posição."
"A dor é inevitável, o sofrimento é opcional."
"People who believe in hell deserve it."
"Nossa cabeça é redonda pra permitir ao pensamento mudar de posição."
"A dor é inevitável, o sofrimento é opcional."
"People who believe in hell deserve it."
Cada um no seu quadrado... o início!
Então, povo...
Resolvi criar um blog. Era um coisa que eu já pensava fazer há muito... pra postar textos, letras de músicas que ficam na minha cabeça, talvez algumas das anotações de coisas legais que eu vivo anotando pra lembrar depois, idéias esquisitas que eu tenho (que eu acho que são geniais) e que finalmente consegui descobri como se faz pra compartilhar com o mundo.
O nome do blog tem uma ponta de modismo, mas na verdade é o meu lema de vida: cada um no seu quadrado, cada um na sua, vivendo da maneira que achar melhor, de acordo com o que acredita... viver sem ter ninguém pra te encher a paciência e dar pitaco sobre o que fazer...
No seu quadrado, mas sem querer invadir o quadrado alheio... aí está, a meu ver, o caminho sábio da paz, da felicidade e da boa convivência...
Pode parecer só uma modinha de criança, mas a idéia deste blog é essa... esse é o meu quadrado... onde eu vou escrever o que der na telha, quando me der na telha... e lê quem quiser, divulga se quiser... e, se não quiser, não precisa voltar...
Só não venha dar pitaco no meu quadrado, ok? Isso quer dizer que críticas não serão nem um pouco bem vindas. Se não gostou, clica no X.
Pra quem quiser, bem-vindo ao meu quadrado!
Resolvi criar um blog. Era um coisa que eu já pensava fazer há muito... pra postar textos, letras de músicas que ficam na minha cabeça, talvez algumas das anotações de coisas legais que eu vivo anotando pra lembrar depois, idéias esquisitas que eu tenho (que eu acho que são geniais) e que finalmente consegui descobri como se faz pra compartilhar com o mundo.
O nome do blog tem uma ponta de modismo, mas na verdade é o meu lema de vida: cada um no seu quadrado, cada um na sua, vivendo da maneira que achar melhor, de acordo com o que acredita... viver sem ter ninguém pra te encher a paciência e dar pitaco sobre o que fazer...
No seu quadrado, mas sem querer invadir o quadrado alheio... aí está, a meu ver, o caminho sábio da paz, da felicidade e da boa convivência...
Pode parecer só uma modinha de criança, mas a idéia deste blog é essa... esse é o meu quadrado... onde eu vou escrever o que der na telha, quando me der na telha... e lê quem quiser, divulga se quiser... e, se não quiser, não precisa voltar...
Só não venha dar pitaco no meu quadrado, ok? Isso quer dizer que críticas não serão nem um pouco bem vindas. Se não gostou, clica no X.
Pra quem quiser, bem-vindo ao meu quadrado!
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