Hoje conversei com uma pessoa que me disse que gosta muito de fazer coisas pelos outros. Mesmo sabendo que a maioria das pessoas não é como ele e que, portanto, sempre acaba recebendo bem menos do que costuma dar. E que não se sente passado pra trás, não sente raiva. Acha que isso é apenar "fazer a sua parte" e que se todos fizessem a sua parte, o mundo seria melhor.
Fiquei impressionada com a simplicidade e propriedade do raciocínio. Simples e óbvio.
Mas porque será que, mesmo me considerando uma pessoa razoavelmente preocupada com o bem-estar alheio, eu não consigo fazer pelos outros sem esperar algo de volta? Sem ficar chateada, decepcionada, com raiva, quando acho que não estou sendo tão considerada quanto gostaria.
Existe um explicação na psicologia evolucionista de que tanto ser excessivamente autruísta quanto egoísta é menos adaptativo do que agir com reciprocidade. Se você divide sua comida sem pedir nada em troca, corre o risco de passar fome. Mas se também nunca divide seu pedaço de carne, provavelmente também vai passar fome se não conseguir caçar sozinho. Assim, parece que o cérebro humano evoluiu programado para dar e esperar receber em troca e a reagir se o contrato for rompido, de forma a estabelecer um equilíbrio justo de divisão de recursos entre os indivíduos.
Confesso que sou fã de carteirinha dos evolucionistas. Entretanto, sem discordar deles, hoje pensei que esse mecanismo pode ser vantajoso pra espécie, mas pra mim é uma merda! Não seria tão melhor viver como esse cidadão, que faz pelos outros e fica feliz porque fez a sua parte?
Ao ouvi-lo falar, com tamanha tranquilidade, sobre a felicidade que ele experimenta em ajudar alguém e no quanto ele entende que nem todos vão fazer o mesmo por ele e que é assim mesmo, fiquei me roendo de inveja!
Queria ter vindo com esse gene.
terça-feira, 29 de julho de 2008
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