Estou num momento de reflexão sobre o estilo de vida que vinha adotando até então. Algumas premissas básicas desta forma de viver que eu hoje questiono são a necessidade de fazer coisas, realizar, ter segurança, assegurar um futuro, colocar carreira, dinheiro e trabalho como sinônimos de segurança, quase numa tentativa de eliminar a incerteza do futuro.
Ontem li no jornal uma reportagem sobre uma nova "filosofia" chamada Nadismo. Basicamente um povo que se reúne pra ficar sem fazer nada. A primeira coisa que pensei foi que isso é muito parecido com o que chamamos de Meditação. Há alguns meses, no início da minha busca por qualidade de vida, resolvi fazer um curso de meditação transcendental. Achei o máximo! Consiste simplesmente em ficar sentado uns 20 minutos duas vezes por dia pensando numa palavrinha. Sem pressão de ter que pensar nela, sem ter que se concentrar... Só se lembrar de voltar a pensar na tal palavrinha quando você se flagrar pensando em outra coisa. Realmente o máximo... dá um relaxamento que parece até um barato... Mas não é que eu não consigo parar os tais 20 minutos todo dia? Será que me faltam 20 minutos? Penso que não. Mesmo quando me sobram alguns minutos, eu prefiro usá-los "me divertindo", ou mesmo fazendo um monte de coisas que, na verdade, não são nada... como este blog ... pra "relaxar". Gostei da história de tentar não fazer NADA. Parece que nem pensar pode (pra isso eu acho que vou ter que treinar muito...).
Mas não sei se o caminho é só me forçar a não fazer nada. Acho que vou sempre inventar algo "mais interessante" pra fazer, como aconteceu com a minha tentativa de meditação. Talvez eu tenha que, junto com essa mudança comportamental, tentar entender quais são os pressupostos que eu assumi pra minha vida que me fazem TER que estar sempre fazendo coisas.
E foi pensando sobre isso que eu cheguei à conclusão que, pra mim, trabalhar, produzir, ganhar dinheiro, ou mesmo batalhar por uma carreira que no futuro me dê dinheiro, são uma forma de tentar reduzir o tamanho da incerteza sobre o futuro que me assombra. Talvez seja este meu maior medo: um futuro que eu não sei como vai ser. E para o qual eu vivo me preparando.
De qualquer forma, a pergunta que hoje surgiu na minha cabeça foi: quando esse tal "futuro" vai começar? Pode ser que já tenha começado eu eu estivesse tão ocupada me preparando pra ele que não tenha ainda começado a vivê-lo.
Agora resta saber se eu vou começar a meditar quando terminar de escrever este texto ou se eu vou "precisar" checar os meus e-mails...
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