segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sobre relações, passado e idealizações. II

Vinicius.

Agonia

No teu grande corpo branco depois eu fiquei.Tinha os olhos lívidos e tive medo.Já não havia sombra em ti – eras como um grande deserto de areia Onde eu houvesse tombado após uma longa caminhada sem noites.Na minha angústia eu buscava a paisagem calma Que me havias dado tanto tempo Mas tudo era estéril e mostruoso e sem vida E teus seios eram dunas desfeitas pelo vendaval que passara.Eu estremecia agonizando e procurava me erguer Mas teu ventre era como areia movediça para os meus dedos.Procurei ficar imóvel e orar, mas fui me afogando em ti mesma Desaparecendo no teu ser disperso que se contraía como a voragem.Depois foi o sono, o escuro, a morte.Quando despertei era claro e eu tinha brotado novamente Vinha cheio do pavor das tuas entranhas.

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