segunda-feira, 28 de julho de 2008

Sobre relações, passado e idealizações.

Vinícius.

A miragem

Não direi que a tua visão desapareceu dos meus olhos sem vida Nem que a tua presença se diluiu na névoa que veio.Busquei inutilmente acorrentar-te a um passado de dores Inutilmente.Vieste – tua sombra sem carne me acompanha Como o tédio da última volúpia.Vieste – e contigo um vago desejo de uma volta inútil E contigo uma vaga saudade…És qualquer coisa que ficará na minha vida sem termo Como uma aflição para todas as minhas alegrias.Tu és a agonia de todas as posses És o frio de toda a nudez E vã será toda a tentativa de me libertar da tua lembrança.Mas quando cessar em mim todo o desejo de vida E quando eu não for mais que o cansaço da minha caminhada pela areia Eu sinto que me terás como me tinhas no passado – Sinto que me virás oferecer a água mentirosa Da miragem.Talvez num ímpeto eu prefira colar a boca à areia estéril Num desejo de aniquilamento.Mas não. Embora sabendo que nunca alcançarei a tua imagem Que estará suspensa e me prometerá água Embora sabendo que tu és a que foge Eu me arrastarei para os teus braços.

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