segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A criança mimada

Pensando sobre a criança que eu achei dentro de mim outro dia, cheguei à conclusão que ela é uma chatinha mimada. Uma princesinha que sonha com um príncipe encantado e que sente como se o mundo tivesse acabado se ele se mostra nem tão "encantado" assim.
Na verdade, a dor veio da frustração de perceber que o amor não é o que ela idealizou, que o namorado não é um príncipe, mas sim um homem. E que ela é só uma mulher, e não a única mulher na vida dele. E que a relação é só uma relação entre dois seres humanos, e não um AMOR idealizado de contos de fadas.
Se todas as estatísticas dizem que a maioria das pessoas trai (não só os homens, sejamos honestas). Se eu posso contar nos dedos de uma única mão o número de amigos/conhecidos que nunca trairam o namorado, marido etc. Porque pensar que só na minha relação o amor é tão grande que não há espaço pra pensar em outras pessoas? Talvez esteja aí a idealização: achar que eu faço parte da mínima parcela das pessoas que tem um parceiro (que se declara) fiel.
Deixando bem claro: não acho que meu namorado me trai. Pode ser que eu ainda seja mimada demais pra entender que isso é estatisticamente muito pouco provável. Mas ainda não acho.
O que eu acho é que ele provavelmente se interessa por outras mulheres, conversa com outras mulheres, deseja outras mulheres... mesmo que ele decida não chegar às vias de fato.
Agora eu pergunto... Dói menos saber que ele deseja mais não faz? Talvez... Nunca experimentei saber de nenhuma traição... Mas a minha criança mimada sente igual. A racionalização de que ele me considera, respeita, não quer perder etc e só por isso não trai não faz doer menos. Pelo menos pra minha criança. Mimada exatamente porque ela nunca foi (ou soube que foi) traída.
Será que o cara que não trai mas deseja é a pequena parcela que nós chamamos de fiéis? Provavelmente.
Será que isso é tão mal assim?
Não sei... só sei que é muito diferente dos contos de fadas que me contaram... Talvez eu precise começar a ouvir mais histórias de adulto. E crescer.

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