sábado, 23 de agosto de 2008

Sobre a solidão

Os Existencialistas vêem o homem como um ser solitário. Na filosofia existencialista, a solidão é o tema principal, o maior problema do ser humano.
Isso inicialmente parece um grande paradoxo, na medida em que os humanos são seres absolutamente sociais: famílias, organizações, comunidades, leis, nações... até as nossas emoções, em grande parte, evoliuíram para adequarnos à convivência social.
Entretanto sou obrigada a concordar com os Existencialistas que, por mais que vivamos cercados de outras pessoas, somos inexorável e implacavelmente sozinhos.
Nascer numa família é a situação mais próxima que conseguiremos chegar de conviver com indíviduos geneticamente semelhantes, e por isso teoricamente mais parecidos, e experimentarmos pertinência.
Pertinência...identificação, acolhimento, amor... qualquer sentimento que aplaque a implacável solidão que nos assola. E que só vai aumentar.
Na medida em que nos afastamos de nossos semelhantes e nos aproximamos de outros indivíduos (de preferência geneticamente bem diferentes, pela boa saúde de nossoa prole), a sensação de pertinência, acolhimento, a incondicionalidade do amor pátrio se perdem... e nos deparamos com os breves sinais, mais ou menos ressaltados, na nossa inerente solidão. Do quanto estamos sós, hopeless, no mundo que insistimos em acreditar que é social. Talvez social apenas no sentido de que nele as almas solitárias vagantes se encontram e se relacionam... até o momento final em que nos deparamos com o inexorável da morte e da plena solidão. Ou você conhece alguém que morreu com companhia?
Quando eu penso desta forma, parece que, do útero da minha mãe para o meu leito de morte, há um longo caminho em que eu irei, aos poucos, me despreendendo de todas as amarras, deixando de pertencer, até estar final e plenamente só.

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