segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
"Um homem e uma mulher vivem uma intensa relação de amor, e depois de alguns anos se separam, cada um vai em busca do próprio caminho, saem do raio de visão um do outro. Que fim levou aquele sentimento? O amor realmente acaba? O que acaba são algumas de nossas expectativas e desejos, que são subtituídos por outros no decorrer da vida. As pessoas não mudam na sua essência, mas mudam muito de sonhos, mudam de pontos de vista e de necessidades, principalmente de necessidades."
DESPEDIDA - Martha Medeiros
Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.
A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.
A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…
Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.
É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.
Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.
Sentir-se amado
"O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho"...
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."
Daí a sabedoria do ditado popular... "amor é convivência".
E um pouquinho de ciência (eu não consigo ficar sem!): se meu cérebro vê, sente, ouve, cheira e prova, não faz nenhum sentido acreditar apenas no que um dos seus sentidos percebe ("eu te amo"), quando os outros estão em privação sensorial ("mas eu não estou ao seu lado").
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho"...
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."
Daí a sabedoria do ditado popular... "amor é convivência".
E um pouquinho de ciência (eu não consigo ficar sem!): se meu cérebro vê, sente, ouve, cheira e prova, não faz nenhum sentido acreditar apenas no que um dos seus sentidos percebe ("eu te amo"), quando os outros estão em privação sensorial ("mas eu não estou ao seu lado").
Esmolas Afetivas- Martha Medeiros
É dureza levar um fora de quem a gente adora. Parece o fim do mundo, parece que nada pior pode nos acontecer. Mas pode. Pode o querido (vale para as queridas que se mandam, também) fazer o tipo bom moço e encher você de palavras carinhosas depois do pé-na-bunda.
Você vai até a farmácia e acaba com o estoque de lenços de papel. O atendente finge não reparar no seu nariz vermelho e nos seus olhos inchados. Aí, você volta para casa, liga o computador, abre sua caixa postal e está lá o nome do querido: mensagem para você. Seu coração dispara. Agarra o mouse com força, clica e lê as palavras mais lindas da língua portuguesa. Você foi muito importante pra mim. Jamais vou te esquecer. Foram os melhores dias da minha vida. Não mereço alguém tão perfeita. Seja feliz. Um beijo do sempre seu, Mané.
É um mané graduado, com ph.D em tortura. Deve ter feito um estágio no Doi-Code. Caramba, se ele acha você tão importante, tão perfeita, tão idolatrável, que diabos está fazendo com outra namorada? Por que não some do mapa de uma vez? Por que não faz a gentileza de deixar você esquecê-lo?
Os dias passam e o cara não escreve mais. Você retoma sua vida, lentamente. Ainda pensa muito nele, mas começa a perceber outras pessoas a sua volta e resolve abrir a guarda para a entrada de um novo amor. Aí, outro e-mail do Mané pousa na sua tela. Por que você anda sumida? Sinto muita saudade. Você é minha melhor amiga, sinto muito carinho por você.
Merece ou não merece um tijolo no meio da testa? Que papo é este de melhor amiga? Quanto ao carinho dele, você embrulha e envia para a Venezuela, alguém lá pode estar precisando. Se ele não pode dizer as coisas que você quer ouvir, que não diga nada. Tudo o que ele consegue com essa lengalenga é fazê-la passar outra temporada na farmácia.
Não estou recomendando grossura. É muito bom saber que a gente foi importante para alguém depois que o romance foi finalizado. Mas cautela aí no politicamente correto. Pessoas apaixonadas querem declarações apaixonadas. A transição de namorada para amiga só é rápida e indolor quando não há mais paixão. Cabe ao que saiu de cena ter sensibilidade para deixar o outro sofrer em paz, sem alimentar esperanças. Mais tarde, ânimos serenados, reconstrói-se a relação em outras bases, se for o caso. Atacar de melhor amigo sabendo que a garota está abalada pode parecer uma atitude bacana, mas é apenas sadismo.
Você vai até a farmácia e acaba com o estoque de lenços de papel. O atendente finge não reparar no seu nariz vermelho e nos seus olhos inchados. Aí, você volta para casa, liga o computador, abre sua caixa postal e está lá o nome do querido: mensagem para você. Seu coração dispara. Agarra o mouse com força, clica e lê as palavras mais lindas da língua portuguesa. Você foi muito importante pra mim. Jamais vou te esquecer. Foram os melhores dias da minha vida. Não mereço alguém tão perfeita. Seja feliz. Um beijo do sempre seu, Mané.
É um mané graduado, com ph.D em tortura. Deve ter feito um estágio no Doi-Code. Caramba, se ele acha você tão importante, tão perfeita, tão idolatrável, que diabos está fazendo com outra namorada? Por que não some do mapa de uma vez? Por que não faz a gentileza de deixar você esquecê-lo?
Os dias passam e o cara não escreve mais. Você retoma sua vida, lentamente. Ainda pensa muito nele, mas começa a perceber outras pessoas a sua volta e resolve abrir a guarda para a entrada de um novo amor. Aí, outro e-mail do Mané pousa na sua tela. Por que você anda sumida? Sinto muita saudade. Você é minha melhor amiga, sinto muito carinho por você.
Merece ou não merece um tijolo no meio da testa? Que papo é este de melhor amiga? Quanto ao carinho dele, você embrulha e envia para a Venezuela, alguém lá pode estar precisando. Se ele não pode dizer as coisas que você quer ouvir, que não diga nada. Tudo o que ele consegue com essa lengalenga é fazê-la passar outra temporada na farmácia.
Não estou recomendando grossura. É muito bom saber que a gente foi importante para alguém depois que o romance foi finalizado. Mas cautela aí no politicamente correto. Pessoas apaixonadas querem declarações apaixonadas. A transição de namorada para amiga só é rápida e indolor quando não há mais paixão. Cabe ao que saiu de cena ter sensibilidade para deixar o outro sofrer em paz, sem alimentar esperanças. Mais tarde, ânimos serenados, reconstrói-se a relação em outras bases, se for o caso. Atacar de melhor amigo sabendo que a garota está abalada pode parecer uma atitude bacana, mas é apenas sadismo.
Recebi este texto de uma amiga bem intencionada e fofa tentando me acalmar depois de ler o texto "Mal-estar da minha geração":
"Calma. Nós ainda somos bem jovens. Daqui a pouco, quando a gente estiver lá pelos trinta, as pessoas amadurecem e começam a buscar todos aqueles objetivos dos quais você fala no seu texto. É óbvio que você vai achar alguém que queira casar, ter filhos e dividir uma vida inteira com você. Você é perfeita, linda, inteligente, meiga, carinhosa, coloca todos que estão ao seu redor para cima. É apenas uma questão de tempo. Talvez fosse o caso de você relaxar um pouco, e parar de tentar nadar contra a correnteza por um tempo. Isso cansa e nem sempre dá os resultados que a gente espera. Tá todo mundo curtindo a noite, os programas despreocupados, sem hora para voltar e sem satisfação para dar? Então tente entrar na dança e curtir um pouco esta fase. Afinal, ela é curta e, uma vez superada, não voltará mais. Deixe-se levar pela vida um pouco, sem tentar a todo o tempo ter o controle absoluto da situação. Ninguém tem esse controle, e tentar tê-lo muitas vezes só faz com que, no final, nós fiquemos com uma sensação horrível de que não conseguimos cumprir as nossas metas. Tenha menos metas a cumprir, isso retira um enorme peso das nossas costas, e permite com que nós fiquemos mais leves e, conseqüentemente, mais felizes com nós mesmos, com o que somos e com o que temos. Deixe-se levar pela vida e você verá que, daqui a pouco, ela vai te levar a um lugar muito melhor do que aquele ao qual você tinha planejado chegar."
Acho que ela está coberta de razão em suas previsões... me sinto o tempo todo nadando contra a correnteza... não só neste quesito, mas na minha visão política, na consciência ecológica, na minha postura profissional, na minha ética pessoal... me sinto realmente um ET não somente nos relacionamentos amorosos, mas em geral... e sinto sim, um enorme peso nas costas de me ver frequentemente frustrada, com metas não cumpridas, ou até com as muitas metas cumpridas ofuscadas por aquelas ainda por alcançar...atropelada pela correnteza.
Mas não me sinto infeliz... talvez um pouco só, incompreendida. Mas não infeliz. Acho que estaria infeliz me forçando a viver uma "juventude" que não me agrada. Mas concordo que talvez seja muito mais gratificante viver com menos expectativas. E é exatamente este o caminho que eu estou buscando.
De qq forma, obrigada pelo apoio. São os amigos que me fazem perceber que, apesar de nadando contra a maré, no fundo eu não estou completamente só.
"Calma. Nós ainda somos bem jovens. Daqui a pouco, quando a gente estiver lá pelos trinta, as pessoas amadurecem e começam a buscar todos aqueles objetivos dos quais você fala no seu texto. É óbvio que você vai achar alguém que queira casar, ter filhos e dividir uma vida inteira com você. Você é perfeita, linda, inteligente, meiga, carinhosa, coloca todos que estão ao seu redor para cima. É apenas uma questão de tempo. Talvez fosse o caso de você relaxar um pouco, e parar de tentar nadar contra a correnteza por um tempo. Isso cansa e nem sempre dá os resultados que a gente espera. Tá todo mundo curtindo a noite, os programas despreocupados, sem hora para voltar e sem satisfação para dar? Então tente entrar na dança e curtir um pouco esta fase. Afinal, ela é curta e, uma vez superada, não voltará mais. Deixe-se levar pela vida um pouco, sem tentar a todo o tempo ter o controle absoluto da situação. Ninguém tem esse controle, e tentar tê-lo muitas vezes só faz com que, no final, nós fiquemos com uma sensação horrível de que não conseguimos cumprir as nossas metas. Tenha menos metas a cumprir, isso retira um enorme peso das nossas costas, e permite com que nós fiquemos mais leves e, conseqüentemente, mais felizes com nós mesmos, com o que somos e com o que temos. Deixe-se levar pela vida e você verá que, daqui a pouco, ela vai te levar a um lugar muito melhor do que aquele ao qual você tinha planejado chegar."
Acho que ela está coberta de razão em suas previsões... me sinto o tempo todo nadando contra a correnteza... não só neste quesito, mas na minha visão política, na consciência ecológica, na minha postura profissional, na minha ética pessoal... me sinto realmente um ET não somente nos relacionamentos amorosos, mas em geral... e sinto sim, um enorme peso nas costas de me ver frequentemente frustrada, com metas não cumpridas, ou até com as muitas metas cumpridas ofuscadas por aquelas ainda por alcançar...atropelada pela correnteza.
Mas não me sinto infeliz... talvez um pouco só, incompreendida. Mas não infeliz. Acho que estaria infeliz me forçando a viver uma "juventude" que não me agrada. Mas concordo que talvez seja muito mais gratificante viver com menos expectativas. E é exatamente este o caminho que eu estou buscando.
De qq forma, obrigada pelo apoio. São os amigos que me fazem perceber que, apesar de nadando contra a maré, no fundo eu não estou completamente só.
Do mal-estar da minha geração
Outro dia li uma crônica da Martha Medeiros sobre a idéia óbvia, infelizmente não pra todos - por isso a crônica, que as mulheres independentes também gostam de amor e carinho. Acho que me enquadro perfeitamente nos critérios definidos por ela para uma "mulher independente": trabalho, ganho meu próprio dinheiro, defendo minhas opiniões, voto em meus próprios candidatos, vou ao cinema sozinha, moro sozinha sem ter sido casada e já viajei boa parte do mundo sozinha. Entretanto meu maior sonho é encontrar alguém que me ame e me encha de carinhos para formar uma família com muitos filhos. Surpresa? Por que?
Esta pergunta vem me abrindo caminhos para muitas relexões nos últimos dias.
Observando as pessoas da minha geração me deparei com a triste constatação de que eu pareço um ET, e assim sou vista, ao confessar que sonho em formar uma família.
Para mim parece óbvio que eu e todos nós viemos ao mundo com o simples objetivo de procriar e assegurar a sobrevivência da nossa prole. E que todo o resto são meios de alcançar este fim.
Mas as pessoas da minha geração parecem achar que não... Vivem fixados na idéia de investir na sua própria "carreira", ou em ter uma vida repleta de prazeres imediatos e sem objetivos a longo prazo. O trabalho e o prazer deixaram de ser meios de garantir e colorir a existência e passaram a ser vistos como um fim em si. Mesmo que a tão valorizada satisfação pessoal não seja alcançada no tal trabalho, de que as pessoas vivem reclamando, nem nos prazeres distratores fugazes.
Todos trabalham demais e depois se engajam em inúmeras atividades puramente hedonistas para se aliviar da tensão gerada pelo excesso de trabalho...Mas a sensação de insatisfação permanece... o que fazer? Quem sabe mais um chopinho?
Sem moralismos, me parece evidente que nosso cérebro veio ao mundo programado para agir com um objetivo final e que este foi sumariamente deletado em favor do que o nosso próprio cérebro entende como simples atividades intermediárias. Daí o mal-estar dos nossos tempos. Claro que o coitado do cérebro não vai gostar nada dessa história de viver desviado de função! E reclama... em forma de sentimentos negativos, sintomas físicos... insatisfação.
Vivemos em círculos de atividades consideradas pela nossa programação inata como menos importantes, sem nunca alcançar o objetivo para que viemos aqui. E não é difícil intuir que nosso sistema vai aumentando a tensão progressivamente até o momento em que deveria entrar em ação um mecanismo de feedback negativo (como se dissesse: "ok. mission acomplished.") que desligaria o sistema. E isso nunca ocorre. Porque a minha geração sei lá por que considera que o objetivo para que a espécie veio programada não é mais importante. O importante agora é trabalhar, ter uma carreira, ganhar dinheiro, montar sua própria vida, para usufruir dela sozinho ou em companhia de outros que também só estão ali de passagem. O cérebro, ávido por vínculos durarouros, que se lixe! Por que a geração dos anos 70/80 se considera acima da natureza! Verdadeiros deuses...poderosos e sozinhos... andando em círculos como peixinhos de aquário...vivendo o momento!
Esta pergunta vem me abrindo caminhos para muitas relexões nos últimos dias.
Observando as pessoas da minha geração me deparei com a triste constatação de que eu pareço um ET, e assim sou vista, ao confessar que sonho em formar uma família.
Para mim parece óbvio que eu e todos nós viemos ao mundo com o simples objetivo de procriar e assegurar a sobrevivência da nossa prole. E que todo o resto são meios de alcançar este fim.
Mas as pessoas da minha geração parecem achar que não... Vivem fixados na idéia de investir na sua própria "carreira", ou em ter uma vida repleta de prazeres imediatos e sem objetivos a longo prazo. O trabalho e o prazer deixaram de ser meios de garantir e colorir a existência e passaram a ser vistos como um fim em si. Mesmo que a tão valorizada satisfação pessoal não seja alcançada no tal trabalho, de que as pessoas vivem reclamando, nem nos prazeres distratores fugazes.
Todos trabalham demais e depois se engajam em inúmeras atividades puramente hedonistas para se aliviar da tensão gerada pelo excesso de trabalho...Mas a sensação de insatisfação permanece... o que fazer? Quem sabe mais um chopinho?
Sem moralismos, me parece evidente que nosso cérebro veio ao mundo programado para agir com um objetivo final e que este foi sumariamente deletado em favor do que o nosso próprio cérebro entende como simples atividades intermediárias. Daí o mal-estar dos nossos tempos. Claro que o coitado do cérebro não vai gostar nada dessa história de viver desviado de função! E reclama... em forma de sentimentos negativos, sintomas físicos... insatisfação.
Vivemos em círculos de atividades consideradas pela nossa programação inata como menos importantes, sem nunca alcançar o objetivo para que viemos aqui. E não é difícil intuir que nosso sistema vai aumentando a tensão progressivamente até o momento em que deveria entrar em ação um mecanismo de feedback negativo (como se dissesse: "ok. mission acomplished.") que desligaria o sistema. E isso nunca ocorre. Porque a minha geração sei lá por que considera que o objetivo para que a espécie veio programada não é mais importante. O importante agora é trabalhar, ter uma carreira, ganhar dinheiro, montar sua própria vida, para usufruir dela sozinho ou em companhia de outros que também só estão ali de passagem. O cérebro, ávido por vínculos durarouros, que se lixe! Por que a geração dos anos 70/80 se considera acima da natureza! Verdadeiros deuses...poderosos e sozinhos... andando em círculos como peixinhos de aquário...vivendo o momento!
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