Outro dia li uma crônica da Martha Medeiros sobre a idéia óbvia, infelizmente não pra todos - por isso a crônica, que as mulheres independentes também gostam de amor e carinho. Acho que me enquadro perfeitamente nos critérios definidos por ela para uma "mulher independente": trabalho, ganho meu próprio dinheiro, defendo minhas opiniões, voto em meus próprios candidatos, vou ao cinema sozinha, moro sozinha sem ter sido casada e já viajei boa parte do mundo sozinha. Entretanto meu maior sonho é encontrar alguém que me ame e me encha de carinhos para formar uma família com muitos filhos. Surpresa? Por que?
Esta pergunta vem me abrindo caminhos para muitas relexões nos últimos dias.
Observando as pessoas da minha geração me deparei com a triste constatação de que eu pareço um ET, e assim sou vista, ao confessar que sonho em formar uma família.
Para mim parece óbvio que eu e todos nós viemos ao mundo com o simples objetivo de procriar e assegurar a sobrevivência da nossa prole. E que todo o resto são meios de alcançar este fim.
Mas as pessoas da minha geração parecem achar que não... Vivem fixados na idéia de investir na sua própria "carreira", ou em ter uma vida repleta de prazeres imediatos e sem objetivos a longo prazo. O trabalho e o prazer deixaram de ser meios de garantir e colorir a existência e passaram a ser vistos como um fim em si. Mesmo que a tão valorizada satisfação pessoal não seja alcançada no tal trabalho, de que as pessoas vivem reclamando, nem nos prazeres distratores fugazes.
Todos trabalham demais e depois se engajam em inúmeras atividades puramente hedonistas para se aliviar da tensão gerada pelo excesso de trabalho...Mas a sensação de insatisfação permanece... o que fazer? Quem sabe mais um chopinho?
Sem moralismos, me parece evidente que nosso cérebro veio ao mundo programado para agir com um objetivo final e que este foi sumariamente deletado em favor do que o nosso próprio cérebro entende como simples atividades intermediárias. Daí o mal-estar dos nossos tempos. Claro que o coitado do cérebro não vai gostar nada dessa história de viver desviado de função! E reclama... em forma de sentimentos negativos, sintomas físicos... insatisfação.
Vivemos em círculos de atividades consideradas pela nossa programação inata como menos importantes, sem nunca alcançar o objetivo para que viemos aqui. E não é difícil intuir que nosso sistema vai aumentando a tensão progressivamente até o momento em que deveria entrar em ação um mecanismo de feedback negativo (como se dissesse: "ok. mission acomplished.") que desligaria o sistema. E isso nunca ocorre. Porque a minha geração sei lá por que considera que o objetivo para que a espécie veio programada não é mais importante. O importante agora é trabalhar, ter uma carreira, ganhar dinheiro, montar sua própria vida, para usufruir dela sozinho ou em companhia de outros que também só estão ali de passagem. O cérebro, ávido por vínculos durarouros, que se lixe! Por que a geração dos anos 70/80 se considera acima da natureza! Verdadeiros deuses...poderosos e sozinhos... andando em círculos como peixinhos de aquário...vivendo o momento!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
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