Recebi este texto de uma amiga bem intencionada e fofa tentando me acalmar depois de ler o texto "Mal-estar da minha geração":
"Calma. Nós ainda somos bem jovens. Daqui a pouco, quando a gente estiver lá pelos trinta, as pessoas amadurecem e começam a buscar todos aqueles objetivos dos quais você fala no seu texto. É óbvio que você vai achar alguém que queira casar, ter filhos e dividir uma vida inteira com você. Você é perfeita, linda, inteligente, meiga, carinhosa, coloca todos que estão ao seu redor para cima. É apenas uma questão de tempo. Talvez fosse o caso de você relaxar um pouco, e parar de tentar nadar contra a correnteza por um tempo. Isso cansa e nem sempre dá os resultados que a gente espera. Tá todo mundo curtindo a noite, os programas despreocupados, sem hora para voltar e sem satisfação para dar? Então tente entrar na dança e curtir um pouco esta fase. Afinal, ela é curta e, uma vez superada, não voltará mais. Deixe-se levar pela vida um pouco, sem tentar a todo o tempo ter o controle absoluto da situação. Ninguém tem esse controle, e tentar tê-lo muitas vezes só faz com que, no final, nós fiquemos com uma sensação horrível de que não conseguimos cumprir as nossas metas. Tenha menos metas a cumprir, isso retira um enorme peso das nossas costas, e permite com que nós fiquemos mais leves e, conseqüentemente, mais felizes com nós mesmos, com o que somos e com o que temos. Deixe-se levar pela vida e você verá que, daqui a pouco, ela vai te levar a um lugar muito melhor do que aquele ao qual você tinha planejado chegar."
Acho que ela está coberta de razão em suas previsões... me sinto o tempo todo nadando contra a correnteza... não só neste quesito, mas na minha visão política, na consciência ecológica, na minha postura profissional, na minha ética pessoal... me sinto realmente um ET não somente nos relacionamentos amorosos, mas em geral... e sinto sim, um enorme peso nas costas de me ver frequentemente frustrada, com metas não cumpridas, ou até com as muitas metas cumpridas ofuscadas por aquelas ainda por alcançar...atropelada pela correnteza.
Mas não me sinto infeliz... talvez um pouco só, incompreendida. Mas não infeliz. Acho que estaria infeliz me forçando a viver uma "juventude" que não me agrada. Mas concordo que talvez seja muito mais gratificante viver com menos expectativas. E é exatamente este o caminho que eu estou buscando.
De qq forma, obrigada pelo apoio. São os amigos que me fazem perceber que, apesar de nadando contra a maré, no fundo eu não estou completamente só.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
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